A nova política (do ódio)

Vivemos tempos difíceis na política, onde as propostas deram lugar aos ataques pessoais ou partidários, e o pior, parece que cada vez mais, o eleitor que tem o poder literalmente nas mãos de escolher os seus representantes através do voto popular, mais gosta e aplaude essa “nova política (do ódio)”.

É natural que a Câmara Federal atraia os olhares do País, é lá que estão os 513 deputados federais, é lá que geralmente são discutidas as matérias que mexem com todo mundo, como a reforma da previdência, pacote anticrime, entre outros, mas é de lá também que tem surgido os maiores especialistas em atrair esse tipo de público. A impressão que tenho é que quanto mais o político tem a capacidade de incitar o ódio ao outro lado (direita ou esquerda), quanto mais consegue fazer “pirotecnia”,  mais os seus seguidores o aplaudem nas redes sociais, mais o defendem com todas as garras e quase sempre usando palavras de baixo calão, imitando o político da sua preferência e partindo para os ataques de ódio contra aqueles que pensam diferente.

Da política nacional para os municípios, não é difícil encontrar vídeos e publicações em redes sociais de pré-candidatos a cargos públicos para as eleições deste ano, xingando (sim, xingando mesmo), os atuais detentores de cargos eletivos. Afinal, se essa estratégia deu certo para muitos que foram eleitos em 2018, porque não pode dar certo para os que vão concorrer às próximas eleições? É o que pensam os pré-candidatos que desejam se utilizar da mesma fórmula.

A proposta do sistema político do nosso país é excelente; infelizmente os muitos casos de corrupção que acontecem no meio e até mesmo a má qualificação de alguns mandatários, acaba desqualificando e levando para o mesmo buraco os bons políticos, as boas propostas, aqueles que realmente entendem que é possível sim mudar um país com propostas discutidas democraticamente e que atendam a grande maioria da população, já que sabemos que é missão impossível agradar a todos.

Para finalizar, também se faz necessário que grande maioria dos eleitores qualifiquem o seu voto, no sentido de não votar em candidatos que se destaquem por xingar melhor seus adversários, que espalham melhor as “fake news” ou naqueles que aparecem na véspera das eleições oferecendo bola, jogo de camisa e patrocínio dos mais diversos e absurdos possíveis. Somente extinguindo essa prática comum e viciosa é que teremos uma sociedade com representantes políticos a altura da forma com que foi pensado o sistema político para o Brasil: com representantes eleitos por suas propostas através do debate popular e de ideias sociais, não mais o debate ideológico raso e rasteiro como vêm acontecendo nos últimos tempos.

Júnior Tapajós
Vereador de Santarém – PL

 

Deixe uma resposta